A visita oficial do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Japão trouxe avanços na agenda educacional bilateral. O Plano de Ação para a Parceria Estratégica e Global Brasil-Japão (2025-2030), assinado pelos chefes de governo dos dois países na semana passada, trouxe a cooperação educacional para o centro das relações bilaterais.
Entre as principais iniciativas, destaca-se o compromisso de aprimorar as condições de ensino e aprendizagem tanto para os estudantes brasileiros no Japão quanto para japoneses no Brasil. O Plano inclui, ainda, a promoção de intercâmbios acadêmicos e educacionais, bem como o fortalecimento da cooperação interuniversitária, com o objetivo de facilitar a mobilidade estudantil e de promover programas de bolsas de estudo, além de incentivar o reconhecimento mútuo de diplomas e créditos acadêmicos.
Complementa o Plano de Ação a assinatura do Memorando de Cooperação em Educação, pelo Ministério da Educação do Brasil (MEC) e pelo Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia japonês (MEXT). Baseado em instrumentos anteriores, o novo documento prevê uma instância de diálogo político bianual entre os ministros para o intercâmbio de informações e experiências. Com isso, a expectativa é que as autoridades passem a se reunir com maior frequência, e em mais alto nível. O memorando trata de ações que buscam incentivar a prosperidade e o benefício mútuo.
Agenda – A missão permitiu também o lançamento de um projeto de mentoria, ainda em modo piloto, de apoio aos estudantes brasileiros em escolas japonesas. O projeto será implementado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Além disso, durante a visita, o ministro da Educação, Camilo Santana, participou de diálogos com representantes dos conselhos de cidadãos e das escolas particulares do Japão que adotam o currículo brasileiro, a fim de apresentar o novo marco regulatório estabelecido pela Resolução nº 01/2025 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE). Ao estabelecer um formulário eletrônico e uma página de acompanhamento processual, a resolução responde à demanda por maior transparência na validação de documentos de escolas no exterior no Brasil.
O ministro também visitou uma escola pública do sistema japonês, oportunidade em que interagiu com estudantes brasileiros e trocou experiências com educadores do país em temas como a valorização dos professores. “Tanto para aqueles que optaram por escolas de currículo brasileiro quanto para aqueles que encaram o desafio da integração à escola japonesa, a missão presidencial trouxe avanços”, afirmou Santana. “Estamos atentos aos índices educacionais de nossas comunidades migrantes e, dentro das possibilidades, avaliaremos formas de colaborar com países de destino dos brasileiros, como o Japão”, concluiu.
Relação diplomática – O Japão costuma receber somente uma visita de dignitário estrangeiro por ano com o mesmo status que teve a do presidente Lula – visita de Estado. Desde a pandemia da Covid-19, o país não recebia visitas desse tipo. Além de se reunir com o imperador, Lula também se encontrou com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba e participou de agendas empresariais.
Em 2025, comemoram-se os 130 anos das relações diplomáticas Brasil-Japão. O Brasil conta com a maior população nipodescendente fora do Japão, estimada em mais de 2 milhões de pessoas, e o Japão abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com 210 mil cidadãos brasileiros. Dos brasileiros que vivem no Japão, estima-se que 30 mil estejam em idade de escolarização básica (dos 6 aos 18 anos), dos quais 4 mil (13%) frequentam escolas privadas de currículo brasileiro.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Assessoria Internacional (AI)
Fonte: Ministério da Educação