Presidente norte-americano deve anunciar taxas nesta quarta (2); Alckmin afirmou que Brasil vai aguardar para definir eventual reação.
O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou nesta terça-feira (1º) que o governo federal tem o “dever de proteger e fortalecer a economia brasileira”, no que diz respeito às novas taxas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar nesta quarta (2). Alckmin, no entanto, afirmou que o Brasil vai esperar quais medidas serão adotadas pelos EUA para decidir sobre uma eventual reação. Mais cedo, o Senado aprovou projeto que autoriza o governo brasileiro a reagir a possíveis sanções comerciais impostas por outros países.
“Devemos aguardar o que os Estados Unidos vão fazer amanhã. E aí, sim, depois de ter conhecimento das medidas, o Brasil vai decidir. Nós temos o dever de proteger e fortalecer a economia brasileira. As empresas que trabalham aqui exportam, têm comércio exterior. O relacionamento com os Estados Unidos é importante, porque, embora a gente compre mais deles do que eles de nós, é para onde a gente vende mais produto de valor agregado”, destacou Alckmin a jornalistas.
O vice-presidente voltou a afirmar que o governo brasileiro vai priorizar uma saída diplomática para o assunto. “O caminho é sempre o caminho do diálogo. O comércio foi o que estimulou as civilizações. O comércio é civilizatório, traz desenvolvimento, aproxima povos. Ele é extremamente positivo. E a disposição do Brasil é aberta ao diálogo e fortalecer o comércio exterior”, acrescentou, ao afirmar que o “diálogo é permanente”.
“O Brasil é um país aberto ao diálogo, defensor do comércio exterior, da aproximação entre os povos, não tem litígio com ninguém. É ganha-ganha, não é olho por olho. Comércio exterior é para gerar emprego, abrir oportunidade, atrair investimento”, completou Alckmin.
Críticas dos EUA
Às vésperas do anúncio da nova tarifa de Trump, um relatório de órgão ligado ao governo dos EUA fez críticas ao Brasil. Segundo o documento, o modelo brasileiro impõe taxas às importações de etanol, máquinas e equipamentos, filmes, bebidas alcoólicas, carne suína, entre outros.
Alckmin minimizou as críticas do relatório. “Repete coisas já antigas, que já tinham sido colocadas anteriormente. Houve até um esclarecimento, dizendo que tem empresas americanas que já estão no RenovaBio [Política Nacional de Biocombustíveis, do governo brasileiro]. E é sempre ganha-ganha. A gente tem que buscar entendimento. Por exemplo, o etanol, a alíquota aqui é mais alta. Mas com açúcar, a gente não consegue entrar tanto nos Estados Unidos, porque quando passa da cota, chega a 90% a alíquota de importação. Então, é o diálogo. Esse é o bom caminho”, reforçou.
Reação do Congresso
Nesse contexto, a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovou, por unanimidade nesta terça, o projeto de lei da reciprocidade comercial, que permite ao governo retaliar medidas unilaterais comerciais que prejudiquem a competitividade das exportações do Brasil. O texto agora segue para análise da Câmara dos Deputados.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva pede que o projeto seja votado pelos deputados e encaminhado para sanção presidencial ainda na quarta-feira (2). A decisão cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que indicou análise nos próximos dias.
O texto ganhou amplo apoio entre parlamentares e uniu votos entre governistas, oposição e a bancada do agronegócio. No Senado, a proposta foi aprovada com 70 votos — de todos que estavam no plenário e nenhum contrário — horas após receber o aval, de forma unânime, dos integrantes da CAE.
Fonte: R7